Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Janeiro, 2008

Estes versos de JACQUES PRÉVERT parecem descrever crianças com défice de atenção…ou seriam crianças normais?

PÁGINA DE ESCRITA

Dois e dois quatro
quatro e quatro oito
oito e oito dezasseis…
Repitam! Diz o professor
Dois e dois quatro
quatro e quatro oito
oito e oito dezasseis.
Mas eis que o pássaro da poesia
passa no céu
a criança vê-o
a criança ouve-o
a criança chama-o:
Salva-me
brinca comigo
pássaro!
Então o pássaro desce
e brinca com a criança
Dois e dois quatro…
Repitam! Diz o professor
e a criança brinca
e o pássaro brinca com ela…
Quatro e quatro oito
oito e oito dezasseis
e dezasseis e dezasseis quanto é que faz?
Dezasseis e dezasseis não faz nada
e sobretudo não faz trinta e dois
e de qualquer maneira
eles vão-se embora.
A criança escondeu o pássaro
na sua carteira
e todas as crianças
ouvem a música
e oito e oito por sua vez também se vão
e quatro e quatro e dois e dois
por sua vez desaparecem
e um e um não fazem nem um nem dois
um e um também se vão dali.
E o pássaro da poesia brinca
e a criança canta
e o professor grita:
deixem de fazer palhaçadas!
Mas todas as outras crianças
escutam a música
e as paredes da sala
desmoronam-se tranquilamente.
E os vidros voltam a ser areia
a tinta volta a ser água
as carteiras voltam a ser árvores
o giz volta ser falésia
e a caneta volta a ser pássaro.

Tradução de José Fanha

Read Full Post »

Se o “Sete” é o número perfeito, que na representação geométrica pode ser simbolizado por um triângulo sob o quadrado (espírito anima a matéria): Esta representação, aparece logo no inicio da vida, quando as crianças fazem, os seus primeiros desenhos de construções…de casas ou pirâmedes, etc. Sete é o número que inspira e eleva o ser na sua qualidade maior.Seus valores resumidos são:
Perfeição, Concentração, Dharana, Integridade, Intuitivo, Individualista, Mental Superior, Ser, Especulativo, Meditativo, Inteligente, Científico, Espiritual, Superior…
O número 7 representa Atmãm, o dono da carruagem, o carro de Ezequiel, a Mercavah Celeste, o Ken dos Taoistas, a Montanha, o rosto humano feito a “imagem e semelhança de Deus”. Sê o número 7 for representado por um X, temos então o nome cabalístico de Zain, que na realização deste número, representará o homem que uniu o Mundo Divino com o Mundo Humano. Daí a montanha ser o palco da realização espiritual de vários seres que vieram à terra cumprir esta missão, que como eremitas, Manus, Avataras, caminhantes, peregrinos, mostraram possuir a luz do conhecimento e da sabedoria das idades: “Senhores de si mesmo e de seu próprio destino”.

<!–[if gte vml 1]> <![endif]–><!–[if !vml]–><!–[endif]–>
O número 8 representa o que permanece em equilíbrio: A Justiça !
Na mitologia egípcia, Anubis é a representação máxima do número 8. Anubis (saturno) faz o julgamento dos mortos através de uma enorme balança, onde, num dos pratos, é colocado o coração do iniciado, do outro, encontra-se uma pena. Este simbolismo, indica, para o bom iniciado, que o coração não pode pessar mais que uma pena, daí a importância da pureza em nossa evolução. Compreende-se que a evolução do homem (quadrado) se dá no momento em que ele completa 28 anos (4×7=28). Observamos então o mistério do número 28 (4×7) = 2 (polaridade-equilíbrio), 8 (justiça-julgamento) que, curiosamente, é o ciclo de saturno. No aspecto da evolução da alma, 2 representa a polaridade entre emoção e a mente (alma), 8, a consciência (espírito) que julga estes veículos, etc. O oito representa o dia da ressurreição do Senhor e também a futura ressurreição de todos os santos . Daí que nas indicações junto ao título do salmo 6 conste: “Para o oitavo”. O número oito – ensina Agostinho – simboliza o mundo futuro.Pois o oito sucede o sete, número que representa o tempo.Após a mutabilidade desta vida (simbolizada pelo sete) o oitavo dia é o do juízo. Daí, conclui Agostinho, o título do salmo 6: “Para o oitavo”, onde se diz: “Não me repreendas, Senhor, em tua indignação; em teu furor não me castigues” (Agostinho, Sermão 260 C,3).

mudámo-nos para www.salteadoresdaarca.com

 

Read Full Post »

Outro local onde se descobriram túneis e passagens plutónicas foi na famosa Quinta da Torre, também conhecida por Quinta da Regaleira, situada na subida para Seteais.

Esta propriedade, adquirida em 1893 pelo dr. António Augusto de Carvalho Monteiro, a quem deram a alcunha de Monteiro dos Milhões devido à sua enorme fortuna pessoal, viria a provar a grande amplitude da rede de subterrâneos da Serra de Sintra quando o seu não menos rico e enigmático proprietário resolveu mandar abrir duas passagens do subsolo para ligar o palácio à capela e à casa do guarda. Talvez sem surpresa do milionário, estas obras foram desembocar numa rede de túneis antigos, surgindo numa das grutas assim postas a descoberto pequena imagem de pedra cor-de-rosa, representando um ser com aspecto feminino mas pisando um animal parecido com o mitológico dragão, só que exibindo certas formas humanas. Monteiro dos Milhões veio a falecer oito anos após se terem concluído as obras na quinta e no palácio, as quais levaram dezanove anos a fazer. Se tivermos em conta o que a Kaballah diz acerca do número oito seremos forçados a pensar que o mistério se adensa.

Considerado como o último dos alquimistas portugueses, o dr. António Augusto de Carvalho Monteiro seguiu, igualmente, a insólita tradição de fazer buracos profundos na Montanha da Lua pois, além das diversas galerias da sua autoria, ainda detectáveis na Quinta da Regaleira, ordenou a escavação de um “poço” com 30 metros de profundidade e 6 de largura.

Pelas paredes deste “poço”, cuja possibilidade de servir para captar água é posta de parte por quem nele penetra, desce uma escada em caracol com 139 degraus e apoiada em colunas, deparando-se no fundo com mais passagens subterrâneas reforçando a ideia de que tanto buraco não teria sido aberto por acaso…

mudámo-nos para www.salteadoresdaarca.com


 

Read Full Post »

[Youtube=http://www.youtube.com/watch?v=UzBncolQjP0]

Ontem ainda…                                              

eu tinha vinte anos,

acariciava o tempo,

e brincava de viver,

como se brinca de namorar,

e vivia a noite,

sem considerar meus dias,

que escorriam no tempo!

Fiz tantos projetos, que ficaram no ar…

alimentei tantas esperanças, que bateram asas,

que permaneço perdido, sem saber aonde ir,

os olhos procurando o Céu,

mas, o coração posto na Terra;

Ontem ainda…

eu tinha vinte anos,

desperdiçava o tempo,

acreditando que o fazia parar,

e para retê-lo, e até ultrapassá-lo,

só fiz correr e me extenuar,

ignorando o passado,

que conduz ao futuro,

precedia da palavra “eu” qualquer conversação,

e opinava que eu queria o melhor,

por criticar o mundo com desenvoltura;

Ontem ainda…

eu tinha vinte anos,

mas, perdi meu tempo

a cometer loucuras,

o que não me deixa, no fundo,

nada de realmente concreto,

além de algumas rugas na fronte e o medo do tédio,

porque meus amores morreram antes de existir,

meus amigos partiram, e não mais retornarão,

por minha culpa, criei o vazio em torno a mim,

e gastei minha vida e meus anos de juventude,

do melhor e do pior,

descartando o melhor,

imobilizei meus sorrisos e congelei meus choros,

onde estão, agora, meus vinte anos?

(Charles Aznavour)

 

mudámo-nos para www.salteadoresdaarca.com

 

Read Full Post »

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas. Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas acções, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.

A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exacta do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.

Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogéneos causa um efeito incómodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza.


Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em óptima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina.

Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’

mudámo-nos para www.salteadoresdaarca.com

Read Full Post »

Todo dia é menos um dia;
menos um dia para ser feliz;
é menos um dia para dar e receber;
é menos um dia para amar e ser amado;
é menos um dia para ouvir e, principalmente, calar!

Sim, porque calando nem sempre quer dizer
que concordamos com o que ouvimos ou lemos,
mas estamos dando a outrem a chance de pensar,
reflectir, saber o que falou ou escreveu.

Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.
Mas saber calar, mais raro ainda.
E como humanos estamos sujeitos a errar.
E nosso erro mais primário, é não saber
Ouvir e calar!

Todo dia é menos um dia para dar um sorriso,
Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso
para sentir um pouco de felicidade!

Todo dia é menos um dia para dizer:
– Desculpe, eu errei!
Para dizer:
– Perdoe-me por favor, fui injusto!

Todo dia é menos um dia;
Para voltarmos sobre os nossos passos.
De repente descobrimos que estamos muito longe
E já não há mais como encontrar
onde pisamos quando íamos.
Já não conseguiremos distinguir nossos passos
de tantos outros que vieram depois dos nossos.

E se esse dia chega, por mais que voltemos;
estaremos seguindo um caminho, que jamais
nos trará ao ponto de partida.

Por isso use cada dia com sabedoria.
Ouça e cale se não se sentir bem;
Leia e deixe de lado, outra hora você vai conseguir
interpretar melhor e saber o que quis ser dito.

(Carlos Drumond de Andrade)

Read Full Post »

O SOSSEGO DA LUZ


METAMORFOSE E MASSACRE

(fragmentos)

Os dedos demoram-se na sombra.

Suspendem-se no sangue poeiras germinantes, turvos
fluidos, fios translúcidos de sal e deslumbramento
que detêm o silêncio e estancam a luz.

Desvenda o coração o que o coração oculta.

A sombra revela o significado oculto desse ritual que o fogo
acumula no obscuro sinal de uma ruína sem nome.

Chamam-lhe escrita, outros preferem nomeá-la como infinito
exercício de adivinhação, dizem-na outros arte,
enigma redentor a que se entregam os que crescem
para o abismo e perturbam as trevas.

Recompensa ou castigo, eis o que obstina.

Por essas horas as mulheres arrastam pelas praias o espesso
manto da escuridão, convocam os mortos às encruzilhadas,
libertam trémulas luzes de obscuros papéis e sombras
calcinadas.

Corre implacável o curso da impaciência sob a ofendida
serenidade do poema

O Sossego da Luz

(Amadeu Batista)

Read Full Post »

Older Posts »